Editoras (e Netflix), entendam: é assexual e não assexuado!

Texto escrito por @attanacarol a pedido do Cadê LGBT



De uns tempos para cá, temos nos deparado com um crescimento, ainda que pequeno, de narrativas com representatividade LGBT na literatura. A passos curtos, essas personagens, que são de tamanha importância para a identificação dos seus, estão conquistando seu espaço.

Menines, meninas, meninos e +, estão finalmente se vendo nas histórias, seja aquele clichê fofinho, aquele drama de arrebentar o coração ou aquela história tão parecida com a realidade, e isso é maravilhoso.

A sigla é bem maior que o conhecido LGBT, e dentro dela temos também a letra A, da pouco falada assexualidade. Mas, numa pesquisa rápida na Amazon, são poucos os livros encontrados com personagens assexuais. Acontece que eu já me deparei com a inserção da assexualidade em narrativas sem representatividade assexual, e de forma equivocada.

Geralmente acontece numa cena de diálogo, onde há um personagem, na maioria das vezes algum hétero que está há um tempo considerado longo demais sem interesse sexual, o que gera o seguinte comentário vindo de algum amigo: “pensei que você fosse assexuado.” Particularmente, acho bem desnecessário, sinto que seria melhor não ter colocado nada, ou, pelo menos usado a expressão correta, afinal, é assexual e não assexuado. Mas qual é a diferença? Assexuado é o termo utilizado na biologia para organismos que se auto-reproduzem; muito diferente de um ser humano que não sente (total ou parcial) atração sexual por outros seres humanos, o que vale ressaltar, não tem nada a ver com disfunção ou trauma.

Talvez o equívoco dos livros traduzidos venha justamente pela tradução literal do termo asexual, utilizado nos Estados Unidos, o mesmo utilizado para denominar a reprodução assexuada. Porém, no Brasil, o termo que vem se popularizando na comunidade é assexual, o que faz mais sentido, visto que, nas sexualidades, ninguém chama o heterossexual de heterossexuado, e por aí vai.

Por isso, queridas editoras (e Netflix), um pouquinho de cuidado seria bom demais.

Sobre a autora:

Ana ou Carol (você escolhe) é assexual e não assexuada. Nasceu em 1994, numa cidadezinha no norte de Minas Gerais, é formada em direito, mas o que sabe fazer direito mesmo é ler, foi numa conversa que lhe sugeriram postar sobre os livros que lia, nascendo assim o Instagram Atenciosamente, Ana Carol, onde ela compartilha seus gostos por leitura, séries, filmes e afins.



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