Por que o sucesso de “Vermelho, branco e sangue azul” é tão importante?

Texto por Fabrício Fonseca para o Cadê LGBT


Se você tem se mantido ativo no Twitter nos últimos meses e segue qualquer perfil que fala sobre literatura, eu tenho certeza que já viu alguém comentando sobre ou viu a capa de Vermelho, Branco e Sangue Azul, livro de estreia da americana Casey McQuiston.

No livro, Alex Claremont-Diaz é filho da Presidenta dos Estados Unidos e acaba se apaixonando por Henry de Gales, príncipe da Inglaterra. Em resumo, e também olhando a capa simples e objetiva, a história parece apenas mais um romancinho gay clichê, algo que com toda certeza é possível ver em alguma fanfic do One Direction no Wattpad. Mas as quase 400 páginas do livro apresentam muito mais do que se possa esperar.

Vermelho, Branco e Sangue Azul acabou se mostrando um livro sobre política, relacionamentos familiares e, claro, sobre o amor. Embora inicialmente eu esperasse apenas um romance água com açúcar, o que recebi foi uma verdadeira aula sobre como acontece a política dos Estados Unidos, e sobre como a monarquia é cruel, diferente do conto de fadas que costumamos imaginar.

No entanto, vamos ao foco desse texto: por que o sucesso desse livro é tão importante? A resposta é simples: porque se trata de um livro LGBT+.

É incrível ver um livro com um personagem principal bissexual se apaixonando por um cara gay sendo tão falado, tão desejado e tão comprado. O sucesso de VBeSA me fez lembrar de 2013 quando líamos os lançamentos do John Green e, logo em seguida, corríamos para o Facebook para conversar com alguém, porque se você não tinha lido um livro do Green, você desejava poder ler.

O sucesso de um livro LGBTQ+ com personagens que cobrem quase todas as letras da sigla (temos personagens bissexuais, gays, transsexuais e panssexuais) é algo para se comemorar, para mostrar que nossa literatura não só chegou para ficar, mas para ser sucesso, para ficar “na boca da galera”. Isso é ainda mais incrível quando você lê livro e percebe que ele realmente merece todo o sucesso, da construção de personagens, passando pelos locais onde a história se passa e chegando até a forma narrativa de McQuiston: esse foi um livro bem trabalhado e que alcança o seu objetivo.

Se só a causa LGBTQ+ não é o suficiente, Vermelho, Branco e Sangue Azul também fala sobre racismo, xenofobia e assédio sexual. Temos na capa, em destaque, o desenho de um garoto negro e a todo o momento da história fica claro que ele entende as situações de racismo muito bem, que não as desconsidera por ser um garoto rico vivendo na Casa Branca.





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A narrativa de McQuiston conquista logo no início, ela tem um jeito poético de descrever as coisas, de falar sobre como um quarto está todo arrumado em tons de rosa ou sobre como dois garotos de mundos tão diferentes (e ao mesmo tempo tão iguais) começaram a se apaixonar gradativamente.

A autora também não tem medo de ser realista. As falas dos personagens deixam claro que eles são inseridos em um mundo real onde as pessoas falam palavrões de forma abusada e vivem as piores das injustiças — que nem sempre são resolvidas.

A fórmula do sucesso de Casey McQuiston me pareceu muito clara: ela abusou de um mundo totalmente real e inseriu a mais impossível das opções, e, assim, conseguiu ter seu nome comentado entre a maioria dos leitores na internet, falando sobre esse romance de dois garotos que decidem enfrentar os seus mundos e não desistem do amor.

O sucesso do livro de Casey é importante porque podemos ler um livro de sucesso em que somos representados e não precisamos ficar revirando a história em nossas cabeças sozinhos, sem alguém para conversar: quem não leu Vermelho, Branco e Sangue Azul, neste momento, está desejando lê-lo!

*Este é um texto de opinião que reflete apenas o ponto de vista do autor.

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